Reino da Boêmia – Contagem Regressiva Étnica

Reino da Boêmia - Contagem Regressiva Étnica - EXPOFEST IJUÍ 2022

Hoje saímos dos campos para conhecer um país que não existe mais, mas que mesmo assim teve grande influência em nossa colonização. Senhores e senhores, bem-vindos à Boêmia.

O território da Boêmia ficava em parte onde hoje é a República Tcheca, e outra parte absorvida pelo Império Austro-Húngaro.

A Boêmia foi um reino instituído durante o Sacro Império Romano, mas, os primeiros registros de civilização datam de 2.000 a.C., onde foram encontradas ferramentas, marcando o início da era do bronze na região.

A chegada dos Bois, tribo celta que deu origem ao nome do país, ocorreu na idade do ferro por volta de 500 a.C. e por lá ficaram até as invasões Romanas. Os Boios viviam em pequenas comunidades que fortaleciam as colônias, o comércio e a indústria. A base religiosa era o xamanismo. Como em outras tribos celtas, o xamã era o líder conselheiro e espiritual da tribo, que conduzia e realizava rituais.

Marcomanos e Romanos guerrearam pela região mas, nenhum exerceu forte influência deixando poucos registros de colonização, com a queda do império romano e a saída dos marcomanos, as tribos eslavas enfrentaram as tribos germânicas. Os eslavos saindo vitoriosos ficaram com o território, estes eram nômades e foram influenciados pelos citas, tribo que viveu na Rússia, fizeram moradia e desenvolveram agricultura, isto ocorreu durante os anos 500.

Tribos nômades começam a entrar em territórios eslavos e os dominar. Por muito tempo, principalmente os ávaros estavam no controle dos eslavos, com ajuda do príncipe Samo, dos Francos, os eslavos saíram do controle das tribos nômades. Samo foi reconhecido como líder o que deu início ao primeiro império formado pelos eslavos, mas, o império não resistiria à morte de seu soberano.

Após este reinado é visto que houve pressão por parte dos países vizinhos dos boêmios, como o Império Romano, a Áustria com Carlos Magno se tornando rei dos eslavos, mas, sem grandes influências no estilo de vida e estado boêmio. Quando a Morávia tornou-se reino, e a expansão de seu reino apenas anexou a região da Boêmia.

Em 870 o príncipe Borivoj, da dinastia premislida, se autoproclamou duque da Boêmia, e fez grandes avanços na região, tornando Praga o centro administrativo,  comercial, cultural e político do país. Com a morte de Borivoj, a Boêmia volta ao controle da Morávia, se tornando independente novamente em 894 com um dos filhos de Borivoj, mesmo período em que a Moradia teria deixado de existir.

O estado boêmio durou por anos e no século XI entrou em declínio com o crescimento da Polônia e Hungria, além da rivalidade entre os filhos do rei. Esta fragilidade permitiu que a Polônia interferisse e colocasse um representante na coroa tornando oficialmente a Boemia um estado do Sacro Império Romano.

Em 1212 a Boêmia volta a ser um reino, as novas medidas administrativas e a política expansionista fez com que colonizadores desbravassem os territórios inabitados da Boemia, gerando grande expansão e medo nos países vizinhos que logo entraram em conflitos com os boêmios. Os boêmios oprimidos retornaram ao domínio do Sacro Império Romano.

Por anos a Boêmia tentou expandir seus territórios, sem sucesso e com o fim da dinastia dos presmislidas no processo.

Com Carlos IV, Imperador de Roma, Praga foi eleita capital do Sacro Império, e recebeu a primeira Universidade da Europa Central. A Boemia se torna um país populoso e poderoso na Europa.

A morte de Carlos IV e a Peste Negra devastam a economia Boêmia e sem um bom sucessor para o trono o país ficou em uma situação caótica.

Alguns pensadores da universidade foram responsáveis por levantar as possíveis novas reformas no país lideradas por Jan Hus. A condenação e execução de Jan foi o estopim para a revolução hussita, que tinha cunho religioso. A revolução foi vista com mais olhos e levou a 5 cruzadas sem sucesso contra os hussitas, mas, que deixaram o país debilitado.

Ambos os lados com baixas foi formalizado um acordo em 1436, que não foi respeitado pela igreja, incitando ódio da Europa contra os boêmios. Após vários conflitos a paz foi instaurada a paz em 1485, com a igreja respeitando o tratado de 1436.

A paz durou até 1526, quando a liberdade religiosa se tornou tema administrativo, levando a conflitos entre católicos e evangélicos. Os conflitos se estenderam a outras áreas como política e comércio que levou a Europa a guerra de 30 anos de 1618 a 1648. Durante a guerra com Fernando II, monarca boêmio, uma nova constituição foi promulgada em 1627.

Esta constituição previa mesmos direitos aos habitantes de língua alemã e a obrigatoriedade da religião católica, os que não fossem católicos deveriam deixar o reino.

As sequências de guerras devastaram o país, que fez com que a coroa tomasse medidas nada populares de tributos, ocasionando diversas revoltas.

De 1700 a 1800 foram anos de mais revoltada e divisões, com idas e vindas territoriais e políticas. Os nãos se passam e chegamos a 1800, período em que são feitas solicitações para a coroa e se inicia a migração Boêmia para o Brasil, com um país em crise.

A imigração boêmia para o Brasil ocorreu, principalmente, no período de 1862 a 1890, onde, segundo registros, 709 imigrantes boêmios desembarcaram no Brasil pelo porto de São Francisco do Sul.

Contudo, este número não representa a totalidade de imigrantes boêmios em nosso país, já que imigrantes não registrados podem ter chegado ao Brasil de outros lugares da Europa, apesar de suas raízes boêmias.

A maior parte destes imigrantes foram estabelecidos em São Bento do Sul/SC e região, mas muitos deles ainda não têm o seu destino conhecido.

Outro grande foco de estabelecimento dos boêmios foi o Rio Grande do Sul, onde, até os dias atuais, sua imigração tem grande influência.

Na cidade de Jaguari/RS foi fundada no final do século XIX a Sociedade Austro-Húngara de Jaguari, constituída por imigrantes boêmios.

Ijuí também foi agraciada com a imigração Boêmia, onde, em 1893, cerca de 50 famílias de imigrantes austríacos de língua alemã se instalaram na Linha 6 Leste. Boa parte desses imigrantes era originária da Boêmia.

Com a finalidade de tornar conhecidas as belas canções, a música, os bailados e a cultural em geral, os descendentes dos imigrantes Austríacos/Boêmios fundaram em 25 de novembro de 1987, o Centro Cultural Austríaco de Ijuí.

Desde sua fundação, o Centro Cultural Austríaco tem se dedicado à formação de grupos de danças folclóricas, corais de senhoras, bandinhas de música, artesanato, intercâmbios culturais com outras cidades e demais etnias instaladas no Parque de Exposições. O Centro tem como objetivos preservar as tradições de seus antepassados, além de ser um espaço de divulgação e de resgate da cultura, folclore, história, gastronomia e outras formas de expressão artísticas e culturais austríacas.

Autores:
Diogo Luiz Maroski
João Mariano da Silva Loureiro

Referências:

https://genealogiaboemia.wordpress.com/sou-alemao-austriaco-ou-tcheco-am-i-german-austrian-or-czech/

https://genealogiaboemia.wordpress.com/2016/01/13/lista-de-imigrantes-boemios-list-of-bohemian-immigrants-2/

http://www.revista.brasil-europa.eu/133/Origem-de-imigrantes.html

https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$questao-da-boemia

https://tiroleses.com.br/2017/04/24/imigracao-austriaca-no-brasil/comment-page-2/

https://www.etniasijui.com.br/

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